Para garantir um bom desempenho nas competições, além da dedicação aos treinos diários, alimentação balanceada e apoio de uma equipe multidisciplinar, é ideal que estes indivíduos apostem também em boas noites de sono que fornecem energia para o organismo. Confiram a entrevista que dei ao Jornal do Brasil sobre este assunto!
Entrevista – Na Mochila
Alerta sobre o uso de descongestionantes nasais
A congestão nasal é um problema muito comum nesta época do ano, devido às infecções virais frequentes. Outras causas são o aumento da poluição, bruscas quedas de temperatura, ar seco e o fato de que roupas e cobertores são retirados dos armários depois de muito tempo guardados. Com o nariz “entupido” com mais frequência, muitas pessoas acabam optando pela automedicação, com o uso de descongestionantes nasais para se livrarem do desconforto.
Segundo a otorrinolaringologista do Hospital Federal da Lagoa, Dra. Luciane Mello, este incômodo acontece quando os vasos sanguíneos na membrana mucosa nasal ficam “inchados”, afetando a respiração. Os descongestionantes, por sua vez, têm o papel de vasoconstricção, ou seja, diminuem o calibre dos vasos, permitindo uma maior sensação de alívio na respiração.
Entretanto, o uso deve ser realizado com moderação e supervisão médica, já que ele pode causar graves problemas à saúde, como taquicardia, elevação da pressão arterial, dependência e a chamada rinite medicamentosa. O uso constante do vasoconstrictor gera um efeito rebote na mucosa, aumentando os calibres dos vasos, com retorno as sensação de congestão.
“Em casos de problemas para respirar, a melhor opção ainda é lavar as narinas com soro fisiológico. Além disso, os medicamentos só devem ser prescritos após uma avaliação médica pois a congestão nasal também pode ser sinal de doenças inflamatórias, alterações anatômicas, como o desvio de septo,” finaliza a especialista
Sonolência excessiva pode indicar outros problemas de saúde
Bocejar por horas durante a aula, ter aquela vontade incontrolável de tirar um cochilo no meio do expediente e até dar aquelas “pescadas” durante uma reunião, são situações que já aconteceram pelo menos uma vez com qualquer pessoa. Porém, quando esses episódios tornam-se corriqueiros, é preciso ser investigado.
De acordo com os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a sonolência excessiva durante o dia atinge aproximadamente 15% da população.
Segundo a especialista do Sono, Dra. Luciane Mello, a sonolência excessiva pode ser consequência de uma noite mal dormida pelo tempo reduzido, pelos despertares frequentes, por uso de certos medicamentos, alimentos e, em casos mais sérios, por causa de problemas de saúde como, depressão, narcolepsia e apneia do sono. Tal sintoma pode gerar consequências no desempenho escolar, profissional, afetivo e social do indivíduo que vão desde irritabilidade, obesidade, falta de concentração, estresse e até risco de acidentes com veículos motorizados, além de infarto e AVC.
O tratamento mais adequado dependerá da causa da sonolência de cada indivíduo. “Existem algumas maneiras de investigarmos o paciente, para quantificar sua sonolência. Uma boa análise com dados de hábitos diurnos e noturnos, além da aplicação de questionários que avaliam a chance de dormir em determinadas situações, é muito útil nessa avaliação. Em alguns casos, as realizações de exames complementares específicos podem contribuir de maneira objetiva”, finaliza a especialista.
Insônia crônica
Você já ouviu falar de Insônia crônica?
Diferente daquela ‘dificuldade passageira’ de não conseguir dormir, a insônia crônica é caracterizada pelo fato da pessoa não conseguir iniciar e/ou manter o sono, não apresentando um sono de qualidade por um longo período seguido. As causas podem variar o que implicará no melhor tratamento a ser oferecido. Procure um especialista e durma bem!
Respiração na hora do treino
Em tempos de treinos para os Jogos Rio 2016 respirar adequadamente é uma tarefa fundamental para garantir bons resultados nas competições. Pois quando a respiração é realizada de forma adequada melhora o rendimento e assegura uma prática saudável e sem riscos para saúde. Em contra partida, um mau controle desse ato pode sobrecarregar o coração no trabalho de bombear sangue para o corpo.
Mas qual é a forma correta de controlar a respiração nessas ocasiões?
Segundo a otorrinolaringologista do Hospital Federal da Lagoa, Dra. Luciane Mello, o modo mais aconselhável varia de acordo com o esporte praticado e a intensidade dos movimentos. “Nos exercícios leves, o método mais aconselhado é o tradicional, de inspirar pelo nariz e soltar pela boca, isso porque a respiração nasal aquece, umidifica, filtra o ar inspirado e melhora as trocas gasosas realizadas”, destaca a especialista. Além disso, durante exercícios, em que a demanda de oxigênio é maior, quanto melhor for a qualidade do ar, mais eficaz será o trabalho dos pulmões.
Para os que praticam exercícios mais pesados, uma técnica que pode ser utilizada é a da ‘Valsalva’. Esta manobra consiste em exalar ou colocar o ar para fora, mantendo o nariz fechado, assim como os lábios. Como resultado, a pressão arterial aumenta, junto com a pressão intratorácica. “Entretanto,esta prática precisa ser moderada, não deve ser feita por amadores e sua realização deve contar a supervisão de um especialista. Já que pode causar em alguns indivíduos alterações na pressão arterial, além de colaborar para outros sintomas de mal estar como tonturas e desmaios”, alerta a especialista.
Sono e desempenho esportivo
Estamos a poucos dias do início dos Jogos Rio 2016, no Brasil, e a preparação dos atletas está a todo vapor. Por isso, vale lembrar que para garantir um bom desempenho físico e mental na hora das competições, além da dedicação aos treinos diários, alimentação balanceada e apoio de uma equipe multidisciplinar, é ideal que estes indivíduos apostem também em boas noites de sono que fornecem energia para o organismo.
De acordo com a especialista e Membro da Academia Americana de Medicina do Sono, Dra. Luciane Mello, o sono comprometido pode influenciar negativamente nos treinos e competições dos atletas profissionais e amadores, já que nesses casos o corpo não tem tempo para reparar e fortalecer a memória e liberar os hormônios necessários. “Isso pode prejudicar a aprendizagem, memória, cognição, humor, percepção de dor e imunidade. Além disso, causa alterações no metabolismo da glicose e na função neuroendócrina, modifica o metabolismo do carboidrato, o apetite e a ingestão de alimentos e a síntese de proteínas”, explica a especialista.
Um estudo realizado com uma equipe de basquete, nos Estados Unidos, mostrou a importância do sono na recuperação muscular e o beneficio para o desempenho dos atletas. O resultado foi que os jogadores que dormiram de 6 a 9 horas melhoraram a pontaria em 9% e conseguiam correr 15,5 segundos mais rápido em relação aos outros que não tiveram as horas de sono suficientes.
Para um bom rendimento, o indicado é não sacrificar as horas de sono para treinar mais. Os atletas precisam de no mínimo 6 horas de sono por noite, sendo o ideal conseguir descansar na faixa de 7-8 horas noturnas. “Dormir adequadamente ajuda na estabilidade emocional e no desempenhocardíaco, pois mantém a oxigenação do sangue em níveis normais, o que impede a sensação de cansaço, melhora a capacidade de concentração e memória e auxilia no crescimento, fortalecimento e recuperação muscular”, finaliza Luciane.
Sono das crianças durante as férias
A chegada do mês de julho é muito lembrada para a maioria das crianças, porque significa que as férias escolares vão começar. Neste período, as crianças aproveitam o tempo sem aula para relaxar, se divertir e descansar, o que acaba mudando – e muito – suas rotinas. Ir dormir muito tarde e acordar mais tarde ainda, além de comer em horários diferentes ou até mesmo pular refeições são algumas das situações que caracterizam bem o período de férias.De acordo com a otorrinolaringologista do Hospital Federal da Lagoa e Especialista do Sono, Dra. Luciane Mello, hábitos como estes são o suficiente paraque o organismo sofra consequências mais tarde, já que o corpo estava acostumado com uma outra rotina. “A alteração repentina da hora do sono ocasiona mudanças hormonais no corpo das crianças e adolescentes. A produção de cortisol, o hormônio do crescimento (GH), fica desregulada, gerando um sonode má qualidade e, consequentemente, o cansaço diurno”, explica.
Além disso, segundo um estudo feito com 11 mil crianças na Inglaterra e publicado na revista Epidemiology e Community Health, a falta de rotina na hora do sono pode prejudicar a capacidade de aprendizado das crianças. Por isso, é importante manter os ponteiros do relógio biológico, principalmente na hora de dormir, mesmo durante as férias. Assim, problemas futuros no retorno às aulas podem ser evitados.
No entanto, para que as férias ainda possam ser aproveitadas e o organismo não sofra com tantas consequências devido às mudanças de horários, a especialista listou 7 dicas que podem ajudar a manter a rotina em dia:
- Conforto – É importante se atentar ao colchão, travesseiro e a postura das crianças. O travesseiro ideal, por exemplo, deve preencher totalmente o espaço entre a cabeça e o colchão, formando um ângulo de 90° graus no pescoço, o que ajuda a manter a coluna vertical e lombar alinhadas. Se houver viagens na programação de férias é recomendável que o travesseiro seja levado na bagagem;
- Evite exageros – Deixe-os aproveitarem os dias de folga. Porém, procure manter um horário regular para dormir e comer, mesmo que sejam diferentes dos habituais. Por exemplo, se costumavam dormir às 21h e agora estão dormindo às 23h, mantenha este horário e não deixe que se estenda;
- Relaxamento – Incentive a realização de atividades mais calmas durante a noite, como ler um livro ou se divertir com histórias em quadrinhos. Evite que façam atividades físicas ou joguem videogames, por exemplo, já que ambas estimulam a produção de adrenalina, o que dificulta o sono;
- Crie um ambiente agradável – Quando a noite se aproximar, o ideal é que a casa fique mais silenciosa e as luzes mais amenas. Experimente utilizar abajures, pois a luz forte prejudica os ciclos biológicos;
- Alimentação – É imprescindível que as crianças tenham uma dieta balanceada, com o consumo de todos os nutrientes, como proteínas, ferro e carboidratos. Também é importante que as refeições sejam realizadas nos horários certos, pelo menos, as três principais do dia: café da manhã, almoço e jantar;
- Tempo de sono – O ideal é que as crianças em idade pré-escolar (de 3 a 5 anos) durmam entre 10 a 13 horas por noite. E crianças em idade escolar (de 6 a 13 anos) durmam entre 10 a 11 horas, ambas sem a interrupção do sono;
- Voltando à rotina – Uma semana antes do fim das férias, organize para que as crianças voltem ao horário correto de dormir e também de acordar. Ajuste os horários um pouco a cada dia, até que a hora habitual se assemelhe a rotina das aulas.
“É importante prestar atenção no rendimento diário das crianças e observar se o período de sono é tranquilo. O ideal é que a respiração seja sem esforço e pelo nariz, e não existam roncos, além de seguir uma vida saudável, com alimentação balanceada e atividade física regular. Se mesmo assim ainda persistir o cansaço diário ou a dificuldade em voltar à rotina for grande, é recomendável procurar a ajuda de um especialista”, finaliza Luciane.
Refluxo Laringofaríngeo
Já ouviu falar daquele pigarro, que fica preso na garganta, e que normalmente associamos a uma gripe ou resfriado? Ele pode ser considerado um dos principais sintomas do refluxo laringofaríngeo, que ocorre quando o ácido do estômago retorna ao esôfago e pode chegar até a garganta, laringe ou faringe, causando lesões e sintomas como tosse seca e sensação de um ‘bolo’ na garganta.
A otorrinolaringologista do Hospital da Lagoa, Dra. Luciane Mello, explica que mesmo que os dois problemas sejam decorrentes do retorno do ácido do estômago, no caso do refluxo laringofaríngeo normalmente não há sintomas similares ao outro tipo de refluxo, o gastroesofágico, como azia e regurgitação. “Nesses casos, é importante que haja uma criteriosa avaliação do caso, principalmente, porque o retorno do ácido até a garganta, laringe ou faringe, pode trazer complicações como rouquidão intensa, otites, dor de garganta constante, entre outros”, comenta a especialista.
O diagnóstico é realizado por meio de uma análise clínica dos sintomas e da Videofaringolaringoscopia, exame de imagem que objetiva avaliar a faringe e a laringe. O tratamento é indicado de acordo com cada caso, mas geralmente está relacionado com a mudança de alguns hábitos e até medicamentos. “Além do diagnóstico correto, é necessário que o paciente adote hábitos alimentares saudáveis, como alimentar-se de maneira regular, evitar a ingestão de grandes quantidades de comidas antes de se deitar, além de combater o tabagismo”, finaliza Luciane.
Sono e habilidades de leitura
Um estudo publicado recentemente na Sleep Science abordou a relação entre o sono insuficiente e as habilidades importantes para o processo de leitura. E eles comprovaram que dormir menos horas do que o necessário pode gerar dificuldades na compreensão da leitura, como capacidade de compreender e lembrar o que foi lido, assim como falta de memória e atenção.


